O que é
O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) é a inflação oficial do Brasil. Ele mostra quanto ficou mais caro, em média, o conjunto de produtos e serviços que as famílias compram. É o índice usado na meta de inflação, que o Banco Central persegue com a taxa Selic.
Como é calculado
O IBGE coleta todo mês os preços de centenas de itens em lojas, supermercados, prestadores de serviço e concessionárias de dezenas de cidades, em regiões metropolitanas e capitais de todo o país. A pesquisa cobre famílias com renda de 1 a 40 salários mínimos, o que representa a grande maioria da população.
Cada item tem um peso de acordo com o quanto pesa no orçamento das famílias, medido pela Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF). Os itens são organizados em nove grupos: alimentação e bebidas, habitação, artigos de residência, vestuário, transportes, saúde e cuidados pessoais, despesas pessoais, educação e comunicação. Alimentação, transportes e habitação são os que mais pesam.
O resultado sai por volta do dia 10 do mês seguinte, de manhã.
O que faz o IPCA subir ou cair
- Alimentos: clima, safra e preços internacionais mexem com frutas, legumes, carnes e grãos.
- Energia e combustíveis: bandeiras tarifárias na conta de luz e reajustes da gasolina e do diesel.
- Dólar: encarece importados, combustíveis e insumos.
- Serviços: acompanham salários e o aquecimento da economia; costumam ser a parte mais difícil de baixar.
- Preços administrados: tarifas de ônibus, planos de saúde, remédios e energia seguem regras e calendários próprios.
Onde afeta
- No seu bolso: inflação alta corrói o salário e o dinheiro parado. Reajustes salariais costumam usar o IPCA ou o INPC como referência.
- Nos investimentos: o Tesouro IPCA+ e muitas debêntures pagam inflação mais juros, protegendo o poder de compra.
- Nos juros: IPCA acima da meta tende a levar o Copom a subir a Selic.
- No governo: corrige o limite de gastos públicos e parte dos benefícios e contratos.
Como ler o número
Olhe três medidas: a variação no mês, o acumulado no ano e o acumulado em 12 meses, que é o comparado com a meta de 3%. Um mês alto pode ser pontual, como um reajuste de energia; o que preocupa é a tendência. Analistas também olham os núcleos, que tiram itens muito voláteis, e a difusão, que mostra quantos itens subiram.
Lembre que é uma média: a sua inflação pessoal pode ser bem diferente, dependendo de quanto você gasta com cada grupo.
Para acompanhar junto
IPCA-15 (a prévia), Boletim Focus (inflação esperada), Selic e INPC.